BAREFOOT
Para quem não sabe,
barefoot significa pés descalços, e um dos poucos bons praticantes deste
esporte é o paulista de vinte e três anos, Otávio Sodré Santoro. Além
do barefoot, Otávio é aficcionado por vários outros esportes como squash,
tênis, natação, esqui na neve e aquático, motociclismo e judô. Profissionalmente
participou de competições de Kart por 9 anos (campeão do Campeonato
Vale Parnaíba de Kart 95 e 97 entre outros) e da Copa Corsa em Interlagos.
Hoje em dia vem desenvolvendo um projeto juntamente com a Associação
Brasileira de Barefoot visando promover competições e eventos no Brasil,
com o intuito de produzir futuros campeões neste esporte.
Como e onde surgiu
o Barefoot?
O barefoot é um esporte tão antigo quanto o esqui, porém, no Brasil,
ainda é novo, acredito que não hajam mais de 50 praticantes. Por isso
me empenho para este número crescer o mais rápido possível e introduzirmos
campeonatos periódicos por aqui. Nos EUA existem aproximadamente 300.000
praticantes e inúmeras associações e federações assim como qualquer
outro esporte sério que caminhe para o profissionalismo.
Práticas e Praticantes
Existem alguns itens que são fundamentais para a prática de barefoot:
você precisa ter um local onde a água seja calma ( lagos, canais, rios)
com pequena ou nenhuma quantidade de marolas e ventos. Qualquer um pode
praticar barefoot. As técnicas profissionais de aprendizagem permitem
a qualquer tipo de pessoa praticar o esporte, até mesmo aquelas que
tem problemas nos joelhos, pois já existem no mercado brasileiro aparelhos
que protegem estas partes do corpo. Quando aos praticantes, no Brasil,
contamos em uma mão as pessoas que realmente praticam o esporte de forma
competitiva e profissional em relação aos norte-americanos, que estão
no esporte há muitos anos, como o ex-campeão Mike Siepel e o campeão
de 1999, o americano Ron Scarpa que dedica sua vida ao barefoot e promove
clínicas de esquis em Palm Beach, na Flórida.
Barefoot é saúde?
Como todo esporte, barefoot também está associado à saúde de seus praticantes
e ainda com algumas vantagens a mais
sobre
os outros. É comprovado clinicamente nos EUA que este esporte prolonga
a vida dos atletas justamente por massagear constantemente a sola dos
pés, onde estão todos os pontos ligados aos órgãos sensitivos e vitais
do organismo.
Política e Investimentos
A Associação Brasileira de Barefoot, na qual participo como diretor
presidente, surgiu desde meu início no esporte. Como aqui no Brasil,
não havia nenhum órgão, bem como nenhum profissional para me ensinar
a solar, fui para os EUA, fiz um curso em West Palm Beach com Mike Siepel
e com o passar do tempo fui me aprimorando e desenvolvendo técnicas
para posteriormente fundar uma associação do esporte e difundi-lo no
Brasil. A Associação Brasileira de Barefoot é reportada à Federação
Brasileira de Esqui Aquático e existem desde o final de 1999, quando
também comecei a ensinar o esporte para iniciantes. Devido a situação
econômica brasileira e ao pouco incentivo ao esporte por parte do governo
e patrocinadores, o crescimento da modalidade ainda deverá ser um pouco
lento. Mas com certeza, o Barefoot gradativamente vem crescendo no Brasil,
através da associação e de seus membros.
Supertição:
não tenho Medo: de nada
Gula: bolo de chocolate
Futuro: incerto e desconhecido
Deus: ser mais forte do universo e o maior aliado dos seres vivos
Sonho: estimulador, sem ele a vida não teria tanto sentido.
Ídolo: meu pai e Ayrton Senna
Largaria na água: o stress e o desgaste de uma cidade grande
Levaria para esquiar: as pessoas que eu gosto (namorada, amigos
e alunos)
Adrenalina: maior propulsora para que as pessoas ultrapassem
seus limites
Barefoot: grande aliado para se equilibrar na água e também em
sua vida
Por
Eliane Carotta
Estraido da revista "Na Faixa" #11
EU
SOLEI, CARA!
O
barefoot é uma espécie de esqui sem esquis pouco difundido no Brasil.
Nosso repórter experimentou, penou e aprovou. Por: Carlos Amoedo
Conheci Otávio
Santoro, o cara da página ao lado, na redação da VIP. Ele veio aqui
apresentar o seu esporte: o barefoot. Em bom português, o termo significa
pé descalço e nada mais. É esqui aquático sem esquis! É meu chapa, você
desliza com os pés sobre a água. Quer dizer... no barefoot não se diz
esquiar, mas sim solar.
Otávio me
desafiou a aprender a solar em apenas um dia. Sim, um dia! Fiquei tentado
com o convite. Mas ainda depois que a editora Alexandra Forbes, uma
ex-aprendiz de esqui aquático, deu risada do desafio e disse que ninguém
aprende a solar em tão pouco tempo. Ah é? Fizemos uma aposta.
Três semanas
depois estávamos eu e Otávio no canal de Bertioga, no litoral de São
Paulo. Confesso que estava temoroso e só fui á luta porque me lembrei
sorriso irônico e desafiador da Alexandra. Vesti aquela roupa de mergulhador
e sobre ela um colete de proteção próprio para a prática do barefoot.
Estava me sentindo a própria múmia embalsamada.
Otávio pediu
que eu me sentasse numa espécie de cadeirinha presa em um mastro ao
lado do barco. Quando atingisse uns 75km/hora eu deveria flexionar as
pernas. Em seguida eu pousaria primeiro o calcanhar e depois o pé inteiro
sobre a água - é mais ou menos como tentar colocar a agulha no ponto
certo de um velho LP. Simultaneamente eu deveria tentar ficar em pé.
Por cabular todas as aulas de alongamento da academia e estar muito
ansioso, me senti travado e não consegui fazer de meus pés um par de
esquis. Só não saí rolando pelo canal porque estava preso à cadeirinha.
Na primeira tentativa engoli água e nas seguintes me senti um imbecil
sendo arrastado de barriga pra baixo. Sem contar que estava exausto!
Como não conseguia
solar com o auxílio da cadeirinha, tentei outro método. Dessa vez teria
que segurar no handle (aquela espécie de apoio usado pelos esquiadores)
enquanto seria arrastado de barriga para baixo. Quando o barco atingisse
a velocidade ideal, eu teria que virar de costas. Daí seria "só" flexionar
as pernas de encontro ao tronco e dar uma flip de modo a ficar solando
"de bunda", para então fincar os pés na água e levantar. Rá!
Essa história
de ser arrastado de costas queima a pele (porque me recusei a vestir
o colete de proteção engessador). E o tal flip é dificílimo de dar:
quando chegava a hora de fincar o pé na água e solar, minhas mãos escapavam
do handlle. O tombo até que não é nada diante da frustração. Exausto
depois de várias tentativas, pedi para descansar por algumas horas.
À tarde voltamos
ao canal. A essa altura do campeonato eu já estava inventando uma desculpa
para apresentar à revista. Resolvi fazer mais uma tentativa usando a
cadeirinha. Mais tranqüilo respirei fundo, fiz a movimentação direitinho
e cavei o pé na água. E não é que comecei a solar? È como aprender a
andar de bicicleta: você tenta várias vezes sem sucesso e,
num belo dia, consegue se equilibrar na primeira tentativa. Fiquei muito
orgulhoso! Poxa tem gente que só consegue solar depois de duas ou três
aulas. E o Otávio precisou de um ano para ser uma fera do barefoot.
Pois bem, eu consegui.E não era sorte de iniciante. Parei, recomecei
e solei novamente! É verdade que não passei dessa lição, mas de qualquer
forma tinha ganho a aposta. Voltei ao barco, relaxado e exultante. O
barefoot, além de massagear o corpo, é um exercício superpuxado para
os músculos. De volta à redação, apresentei como troféu minhas costas
raladas e roxas. Fiz desses hematomas o símbolo de minha vitória. Eu
solei em um dia, minha cara Alexandra!
Estraido
da revista"VIP" Abril 2000